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6 Respostas para “Textos”

  1. fernandotrani Disse:

    Tudo Azul – Alles Blau

    Ao ouvir o comentário do Ir.’. Kalu numa de nossa reuniões em L.’., com referência a cor azul da flor na lapela de irmãos de outros orientes, resolvi me aprofundar no tema e surpreendí-me com uma curiosidades sobre o azul.

    Em alemão se diz blaumachen, “fazer o azul”, quando alguém não vai ao trabalho, quando crianças não aparecem às aulas, mas vão ao shopping, obviamente sem os pais saberem.
    Blaumachen é uma delícia (como aliás tudo que é proibido), tanto que uma deliciosa dialética entre ter que fazer, e prazer e lazer.Esta expressão originária da Idade Média. O Azul na antiguidade se fazia na segunda a feira. Tanto que os “ MM.’. M.’.” e “AA.’. M.’. ” quando da construção de diversas Catedrais, não apareciam na obra na segunda (e quem não sabe disso?), ” faz o azul “, macht blau.
    Sem as cores sintéticas, a obtenção da cor azul era difícil, o azul era uma preciosidade. Somente poucos conhecedores da Arte Real conheciam sua obtenção.
    Primeiro havia apenas as folhas de uma árvore que forneciam o azul: o Färberwald ( “o mato dos tintureiros”). Depois veio uma leguminosa, uma planta da índia, daí o nome: indigo-blue. Mas tanto uma planta como a outra não dá o azul de vez, ele precisa ser elaborado, com urina e álcool acrescidos à água do molho da tintura. Álcool era caro demais, e os “tintureiros”, inteligentes que só, tomavam muita cerveja para enriquecer a urina com o precioso líquido. Como o processo era lento e precisava de decantação na solução da tintura, os já alegres “tintureiros”, porque a cerveja descia redondo, ficavam de papo para o ar. Uma das “lendas” mais divulgadas na Europa, era que o dia consagrado para reuniões da maçonaria operativa de então era o dia “azul”.
    Voltando ao tema, na segunda etapa, a secagem ao ar, o azul se intensificava com o oxigênio; mais tempo de espera, mais tempo de dolce far niente. Vendo-os assim, e normalmente era nas segundas feiras, o povo sabia: estão fazendo a cor azul, sie machen blau.A própria segunda feira se chamava a segunda azul, der blaue Montag.

    Azul é a cor do céu, a cor do mar. E pensar que neste momento estamos aqui, onde muitos profanos pensam que estamos de papo para o ar, vendo tudo azul, ou seja, Macht blau e quando alguém lhe perguntar…Tudo azul…vocês podem lembrar dos nossos irmãos de antigamente e entender que está frase também foi utilizada como identificação de iguais, e eu também, por isso escrevi menos, nesta segunda feira azul. Alles blau?
    Bibliografia : http://www.vanet.com.br

  2. fernandotrani Disse:

    Requerimento Original e
    Cerimônia de Iniciação dos Cavaleiros do Templo
    Por H.E. The Baron of Richecourt KGCTJ
    (Tradução para o português por Ir.’. José Fernando Bussolini Di Trani)

    Nossa Ordem, quando totalmente desenvolvida, foi composta de diversas classes, Mestres Cavaleiros, Capelães e Irmãos-Serviçais. Os membros eram aqueles que se uniram à ordem e trabalharam para ela, enquanto recebiam sua proteção, sem tomar seus votos.
    O Candidato a Cavalaria deveria provar que ele era de Família de Cavaleiros e entitulado para esta distinção. Seu Pai deveria ser um Cavaleiro, ou elegível para tornar-se um deles. Ele deveria provar que nasceu de um Casamento (A razão para este requerimento, é dito que não é uma exigência apenas religiosa: Havia a possibilidade de uma liderança política, tais como, um Rei ou Príncipe influir na Ordem intervindo através de um de seus filhos bastardos, alí incluídos, onde mais tarde, talvez alcançasse altas posições ou patentes, e finalmente anexando-a para seus serviços ou seus domínios).
    O candidato deveria ser solteiro ou viúvo e livre de todas suas obrigações. Ele não poderia ter feito algum voto, ter pertencido a alguma outra Ordem, e não poderia ter dividas. Nota: Eventualmente a competição para admissão começou a ser enorme entre os candidatos elegíveis, e uma alta taxa foi determinada para aqueles que queriam ser Monges Guerreiros.
    Todos os candidatos tinham que ser Cavaleiros antes de entrar para a Ordem (O período de provação, o qual foi originalmente determinado, foi inteiramente abolido). Nenhum jovem poderia ser admitido até que completasse a idade de Vinte anos, porque ele tinha que ser um Soldado, bem como um Monge, e esta era a idade mínima para que se pudessem portar armas.
    Quando os novos Cavaleiros eram admitidos na Ordem, a Cerimônia era totalmente secreta. A cerimônia acontecia em uma das Capelas da Ordem, somente na presença dos Membros empossados.
    O Mestre (Ou o Prior, aquele que tinha assento nas Capelas ou naquele que ele se encontrava), iniciava então o ritual:
    “Queridos participantes, vejo que a maioria concordou em receber este homem com um Irmão. Se houver alguém entre vós, que conheça algo sobre ele, e por este motivo o mesmo não possa cumprir as exigências para se tornar um Irmão, vamos deixá-lo falar; para isto sempre é melhor saber o significado antes, do que após ele ser trazido até nós”.
    Se não houvessem colocado nenhuma objeção, o Aspirante seria levado a uma pequena sala junto a dois ou três Cavaleiros experientes, para ensiná-lo naquilo que ele deveria saber: “Irmão, você deseja tornar parte da Ordem?”; Se ele concordasse, ele deveria participar das provas rigorosas, para se tornar um Templário. Ele tinha que responder que pela Glória de Deus que aceitava tudo e ficaria na Ordem por toda a Vida; Eles lhe perguntavam se ele tinha esposa ou prometida; se ele tinha feito votos a alguma outra Ordem; Também se ele devia dinheiro mais do que ele poderia pagar; e se o mesmo era servo de alguma pessoa;
    Após respostas satisfatórias, o resultado era passado ao Mestre. A assembléia era novamente inquirida se alguém conhecia algo que desqualificasse o candidato. Se não houvesse objeção, era perguntado: “Vocês gostariam que pudesse ser trazido, em nome de Deus?” Os Cavaleiros respondiam, “Deixem-no ser trazido, em nome de Deus”.
    O candidato era novamente perguntado pelos seus padrinhos se ele ainda desejava entrar para a Ordem. Recebendo uma resposta afirmativa, eles o encaminhavam até a Capela, onde ele recolhia suas mãos e literalmente caia de joelhos, dizendo: “Senhor, eu venho perante Deus e perante vocês, para Glória de Deus e de Nossa Senhora, para ser admitido nesta Ordem, como um daqueles que será por toda vida seu servo e escravo”.
    “Amado Irmão”, respondia o Mestre: Você está desejoso de um grande desafio, para que possas ver nada além da casca de nossa Ordem. É somente a casca exterior, quando você vê que nós possuímos belos cavalos e ricas selas, que nós comemos e bebemos bem e nos vestimos esplendidamente. A partir disto você conclui que você estará bem entre nós. Mas você não conhece os maiores rigores que estão no seu próprio interior. Este é o grande desafio para você, àquele que é seu próprio mestre, para se tornar um servo de outro. Penosamente você será se tornará apto para executar, no futuro, aquilo que você deseja para si mesmo. Quando você desejar estar neste lado do mar, você será enviado para o outro lado; quando você desejar estar na fortaleza Acre, você será enviado para o Distrito de Antioquia, para Trípoli, ou para Armênia, ou você será enviado para Apulia, para Sicília, ou Lombardia, ou Burgundia, França, Inglaterra, ou algum outro país onde nós tenhamos casas e possessões.”
    “Quando você desejar dormir, você será ordenado a vigiar; quando você desejar vigiar, então você será ordenado a ir para cama; quando você quizer comer, então será ordenado a fazer alguma outra coisa. E ambos, nós e você deveremos sofrer grandes inconveniências à partir daquilo que você imagina a nosso respeito, olhe aqui nos santos evangelhos e na palavra de Deus, e responda com a verdade, as questões que lhe faremos; Se você mentir, você cometerá perjurio e será expelido de nossa Ordem, a partir de onde você prestará contas com Deus!”
    Todas as questões eram feitas na escrita Sagrada.
    Se as respostas provam ser aceitáveis, o Mestre continuava:
    “Amado irmão, tome cuidado com aquilo que dissestes como verdade para nós: Se você falou algo falso em algum ponto, você deverá ser expulso da Ordem, de onde Deus se encarregará de você! Agora, amado Irmão, preste extrita atenção no que diremos a você: Você promete a Deus, e a Nossa Senhora que será, para toda a sua vida, obediente ao Mestre do Templo, e ao prior que será colocado acima de você?
    “Sim, senhor, com a ajuda de Deus!”
    “Você promete a Deus, e a Nossa Senhora, observar as maneiras laudáveis e costumes de nossa Ordem, ambas estão atualmente em uso, e as todas aquelas que o Mestre e os Cavaleiros devem ater-se?”
    “Sim, senhor, com a ajuda de Deus!”
    “Você promete a Deus, e a Nossa Senhora, que você, com a fôrça e poder que Deus lhe reservou, ajudar tanto quanto você viva, a conquistar a Terra Sagrada de Jerusalém; e que você poderá, com toda sua força, ajudar a manter e guardar o que os Cristãos possuem?”
    “Sim, senhor, com a ajuda de Deus!”
    “Você promete a Deus e a Nossa Senhora, nunca abandonar a Ordem por força ou fraqueza, por melhor ou pior que seja, sem que tenha a permissão do Mestre, ou do capitulo que detém a autoridade?”
    “Sim, senhor, com a ajuda de Deus!”
    “Você finalmente promete a Deus, e a Nossa Senhora, nunca estará presente quando um Cristão for injustamente e ilegalmene despojado de sua herança, e que você nunca, por conselho ou por ato, tomará parte neste caso?”
    “Sim, senhor, com a ajuda de Deus!”
    “Em nome, dele, de Deus, e de Nossa Senhora, e em nome de S. Pedro de Roma, e de nosso pai o Papa, e em nome de todos os membros do Templo, nós recebemos para todos os trabalhos da Ordem o qual vem acontecendo desde o inicio, a deverá acontecer até o fim dos tempos, você, seu pai, sua mãe, e toda sua familia, a qual você deverá dividir desde então. Em igual maneira você nos informará a respeito de todo bom trabalho que você fez e pretende fazer. Nós asseguramos a você, o pão, água e as pobres roupas da Ordem, e trabalho suficiente.”
    O candidato era admitido. O Manto Branco com a Cruz Vermelha era colocado pelo Mestre sobre o pescoço do candidato, e atado firmemente pelo mesmo. O Capelão recitava o Salmo 133 e resava a oração ao Espirito Santo, e cada Irmão repetia o Padre-Nosso.
    Então o Mestre e o Capelão beijavam o novo Irmão. Como ele sentava abaixo do Mestre, o qual após lhe dava ensinamentos e informava seus deveres.

    Bibliografia: H.E. The Baron of Richecourt KGCTJ

  3. fernandotrani Disse:

    O TEXTO É UM POUCO EXTENSO MAS VALE A PENA LER E DAR UMAS RISADAS.

    O Presidente do Conselho de Kadosh de Brasília, Ir.•. Etelvino,
    encomendou-me um trabalho para ser apresentado do dia da Elevação ao
    Gr.•. 30. No dia determinado, estava eu cumprindo à solene obrigação.
    O Delegado Litúrgico, Ir.•. Jacobina, solicitou a peça de arquitetura,
    para a possível publicação no Boletim do Supremo Conselho. O
    prestimoso secretário da Delegacia, Ir.•. Artur de Moura, enviou
    prancha para o Supremo Conselho remetendo o trabalho, e na mesma
    correspondência, comunicou o falecimento do Ir.•. Nicolas – O Grego.

    Para surpresa de todos, o Boletim Nº 191 de Jul/Ago/94 do Supremo
    Conselho, não publicou o “Trabalho”, mas trazia na sua página 8,
    “Coluna Fúnebre”, a relação dos IIr.•. falecidos, e entre eles, estava
    o meu nome completo – INOCÊNCIO DE JESUS VIÉGAS. A notícia, através do
    Boletim, espelhou-se por todo o Brasil e não demorou muito, os velhos
    amigos e os conhecidos, passarem a expressar suas condolências à
    suposta viúva. Telegramas e cartas de vários Estados e lugares por
    onde morei, quando era militar do Exército. Entre tantas manifestação
    de solidariedade, umas curiosas merecem destaque: Um velho Ir.•.
    demonstrava o seu pesar, e ao mesmo tempo, desejava comprar alguns
    livros da minha biblioteca. Outro, também viúvo, oferecia seus
    préstimos à “viúva”, e deixava transparecer nas entrelinhas, o desejo
    de continuar o meu trabalho ao lado dela; não por questão de sexo, mas
    pela convivência, pois a solidão é muito dolorosa. Mais outro Ir.•. de
    uma cidade do interior, velho companheiro de farda, comunicou o meu
    comparecimento a uma sessão espírita, onde eu havia deixado
    psicografada uma linda mensagem encorajadora a todos os IIr.•. .

    A Delegacia Litúrgica de Brasília, ao descobrir o grande erro,
    escreveu ao Supremo Conselho, pedindo providências no sentido de
    retificar a referida publicação, o que de pronto foi atendia, com mil
    desculpas.

    Até aí tudo bem, levamos o caso na brincadeira.

    Um dia, um Ir.•. do Or.•. de Boa Vista-RR, o Raimundo, de passagem por
    Brasília, vem visitar minha Loja, a “Jeremias Pinheiro Moreira”e, em
    conversa, declinou ser filho da Loja “20 de Agosto”, daquela cidade.
    Logo lembrei de dois velhos Irmãos, o Rocha e o Noberto, que por
    sinal, é o Delegado do Grão-Mestre naquele Estado e, como estava
    devendo um grande favor ao Noberto, aproveitei o Ir.•. Raimundo para
    levar-lhe um presente. Autografei um livro e mandei ao Noberto. Isso
    era outubro.

    94. O Noberto recebeu o presente, ficou feliz e logo em seguida,
    recebeu o Boletim do Supremo Conselho, referente aos meses de
    JUL/AGO/94 e lá encontrou o meu nome como tendo falecido em agosto.

    O Noberto, entre arrepios, não entendia com um morto em agosto,
    oferecia e assinava um livro em outubro. Ligou imediatamente para o
    Ir.•. Fagundes, Grande Secretário da Guarda dos Selos, pedindo
    informações sobre o meu falecimento. O Fagundes logo informou ser um
    mal entendido. O Noberto, não conformado, pediu meu telefone e ligou
    para a “viúva”, que lhe confirmou que eu estava vivo.

    Mas, o pior, estava ainda por acontecer…

    Um belo dia, de passagem por uma cidade do interior, a mando da
    empresa à qual presto serviço, desejei visitar à Loja, onde sabia ter
    um velho companheiro de caserna. Fui, e ao chegar à Loja, notei que
    era tarde e que já estavam trabalhando. Mesmo assim, bati como de
    costume e recebi como resposta a ordem para esperar. Logo veio o
    Primeiro Experto com o livro, para colher a assinatura e levar a
    identidade civil e maçônica para o Orador conferir.

    Vou relatar aqui , o que ocorreu lá dentro e que me foi contado pelo
    laborioso Secretário, a que tudo viu, ouviu e gravou em sua longa ata.

    Chega o Experto com o livro e as identidades. Entrega ao Orador. O
    velho guardião da lei, lê atentamente. Logo empalidece ao descobrir um
    grande acontecimento, e quase sem poder falar, olhou para o Venerável
    e balbuciou algumas palavras imperceptíveis. O Venerável pediu
    gentilmente ao Orador para repetir mais alto. O Orador recobrando as
    forças disse: “Venerável Mestre! Algo de anormal está acontecendo.
    Esse Ir.•. que bate à porto do nosso Templo, é o falecido Ir.•.
    Inocêncio, a quem na última Sessão, prestei solene homenagem pelo seu
    passamento e, agora, diante de seus documentos, não sei o que fazer;
    quero a ajuda de algum Ir.•. entendido em coisas do outro mundo, para
    clarear esta fantasmagórica situação.

    O Mestre de Harmonia, diante do caso, querendo colaborar com a
    situação, colocou em surdina a Marcha Fúnebre de Mozart. Aprendizes e
    Companheiros, admirados e congelados de pavor, esperavam o desfecho.
    Todos os IIr.•. passaram a ter arrepios e o medo era geral. Um dos
    IIr.•. , se dizendo entendido do assunto, ofereceu-se para assumir o
    comando da situação e passou a pedir calma a todos os IIr.•. . Fechou
    os olhos, respirou ofegante, estendeu os trêmulos braços na horizontal
    e falou com voz rouca: “O Ir.•. Inocêncio veio pedir luzes.Você Ir.•.
    Orador, o elogiou bastante na Sessão passada, e ele quer agradecer;
    pensa que ainda está materialmente entre nós. Deixai que entre”.

    Eu, lá fora, inquieto com tanta demora, resolvi ir ao banheiro. Nisso
    a porta se abre e o Cobridor não me vê na sala. Morrendo de medo,
    imediatamente fechou-a e anunciou: “Ir.•. Primeiro Vigilante, o
    fantasma foi embora! Com o abrir da porta, parei o que estava fazendo
    e voltei imediatamente, pensando em entrar, e logo vi a porta fechada.
    Esperei um pouco, fiquei de costas para a dita porta, olhando ás
    fotografias dos futuros IIr.•. , que estavam coladas nos editais.

    Abre-se a porta outra vez. Era o Mestre de Cerimônias que espiava só
    com um olho. Voltei a cabeça e esbocei um sorriso, e a porta foi
    fechada incontinenti. Bom, já que não vou entrar – pensei – vou
    terminar o serviço que bruscamente havia interrompido, e fui para o
    banheiro outra vez. Lá dentro, o Mestre de Cerimônias informava que eu
    estava lá fora. O Cobridor, sem acreditar, imediatamente abre a porta,
    e mais uma vez nada vê, e ai pirou de vez. O suposto médium passar a
    consolar o Cobridor, dizendo-lhe que ele não era vidente, e por isso
    não conseguia ver o espírito do Ir.•. , mas que fizesse um esforço
    concentrado, que logo conseguiria. Nisso um Ir.•. pede a palavra pela
    ordem, e solicita ao Ven.•. retirar do Templo, os Aprendizes e
    Companheiros, que ainda não se achavam em condições de assistir esse
    encontro de um morto com os vivos em Loja. Aprovada a solicitação, O
    Venerável pede ao Mestre de Cerimônias para retirar os Aprendizes e
    Companheiros. Logo, um nervoso Companheiro pede a palavra, antes de
    cumprir a ordem do Venerável Mestre e questiona, que não era justo
    sair e ter que ficar na Sala dos PP.•. PP.•. com o defunto. Todos
    concordaram com a ponderação e o Venerável revogou a ordem.

    Contornada a situação, o Venerável pede ao Mestre de Harmonia a
    execução de uma música mais suave para receber o Ir.•. .

    Finalmente abre-se a porta, a música suave da Ave-Maria, me deixa todo
    emocionado. Entrei, fiz o que normalmente se faz, e esperei a ordem do
    Venerável para tomar assento. O silêncio dominava a cena. O Venerável
    disse: “Vinde saudoso Ir.•. ao encontro dos seus IIr.•. , que
    emocionados, lamentam a vossa desencarnação. Acomodai-vos no Oriente,
    onde é vosso lugar.”Sai, passo a passo, meditando aquelas palavras.
    Logo reconheci o velho Ir.•. que era o Orador, e olhei para ele com ar
    de riso. Ele fechou os olhos e baixou a cabeça tristemente. O
    Venerável, olhando-me bem firme, disse: “O pranteado Ir.•. vem deixar
    sua mensagem? Estamos prontos, podeis fazer o uso da palavra, se esse
    for o vosso desejo”.

    Lá fora chovia bastante e podíamos ouvir, vez por outra, o ribombar
    dos trovões e ver o clarão dos relâmpagos. Coincidência ou não, quando
    levantei para fazer uso da palavra, uma enorme claridade iluminou tudo
    e um ensurdecedor barulho de trovão, nos deixou estarrecidos. A luz
    elétrica imediatamente se apagou, ficando apenas as luzes tímidas das
    velas a iluminar o recinto, ao mesmo tempo em que a gritaria na Loja
    foi desesperadora. Todos querendo sair ao mesmo tempo, uns caindo
    sobre os outros, pisotearam o Cobridor, que jazia inerte, todo
    amarfanhado, e que foi imediatamente arrastado para fora, por um Ir.•.
    mais corajoso. Fiquei só, dentro da Loja. Em vista disso, também com
    as pernas trêmulas depois de tamanho susto, aproveitei para sair da
    Oficina e nisso ouvi um grito vindo lá de fora: “Lá vem à alma
    penada!”. E a correria rumo ao portão da frente foi geral, e só alguns
    “sem pernas”ficaram na Sala dos PP.•. PP.•. .

    Só aí, depois de ter sido chamado de alma penada, pude entender todo
    aquele desespero dos IIr.•. e imediatamente tratei de esclarecer o que
    realmente acontecera, que eu estava vivo, e que foi um erro de
    publicação do Boletim e que já estava sendo retificado.

    A maioria já tinha ido embora para casa não sei como. Inclusive o
    Orador, meu velho amigo. Nisso volta o falso médium, e ainda
    ressabiado, olha para dentro, e sem entender aquele silêncio, brada
    com a voz enérgica dos doutrinadores: “Ir.•. do além! Já passa da
    meia-noite! A vossa hora terminou! Ide em paz e o Senhor vos
    acompanhe!”.

    O Venerável, um nordestino bem brabo, olha para o falso médium e diz:
    “Deixa de ser mole, cabra-da-peste! Olha tua calça como está toda
    molhada, e pelo cheiro não é água de chuva não! Não está vendo que o
    Ir.•. está vivo? A gargalhada foi geral. O Venerável pediu mil
    desculpas, e como um bom apreciador das boas coisas, convidou a todos
    para comemorarem a minha ressurreição. E disse mais: “Quem correu,
    perdeu!”O resto da noite foi curta para recordarmos o episódio, tomar
    o gostoso vinho e rir à vontade dos ” corajosos IIr•”, que jamais
    esquecerão o “defunto visitante.”

    Nosso trabalho é sempre À G.’. D.’. G.’. A.’. D.’. U.’.
    Todos unidos por uma Nova Era Maçônica !!!
    O Fraternal Grupo “AMIGOS DA NOVA ERA MAÇÔNICA” não se responsabiliza pelas
    opiniões emitidas no Grupo, essa responsabilidade cabe aos seus autores.
    Liberdade Igualdade Fraternidade !!!

  4. fernandotrani Disse:

    TRANSFORMAÇÃO HUMANA FRENTE A MAÇONARIA
    TODOS POR TODOS

    Tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a
    eles

    Abandonamos os bens do mundo profano
    Abraços fraternais foram as recompensas
    Aclamação pelos irmãos consagraram a gentil acolhida
    Adornos recebemos
    Aprendizes nos tornamos

    Baterias de alegria foram ouvidas
    Beneficência sendo louvada

    Crianças nos tornamos
    Conhecimento buscamos
    Candidatos à perfeição como destino
    Caridade como arma trazemos

    Deus estando conosco

    Estrela simbolizando o homem perfeito
    Eternidade é o nosso tempo
    Evolução por obrigação conseguiremos

    Fraternos sem dogmas e ceticismo
    Finalidade, o aperfeiçoamento

    G.A.D.U. aqui tens seus seguidores

    Harmonia em nossos corações palpitantes
    Hospitalaria contando conosco a toda hora do dia
    Huzé como saudação pela alegria

    Idade de três anos completamos
    Igualdade sentimos quando trabalhamos
    Imbatível espirito de irmandade

    Justas serão nossas lutas

    Lapidar a pedra bruta seria só o inicio
    Livres de preconceitos e sendo de bons costumes
    Livro da Lei como fonte de sabedoria
    Loja se tornando nosso mundo de trabalho e reflexão
    Luz por causa teremos

    Maçons, aqui prontos estamos
    Mandamentos praticamos
    Meio-dia iniciamos
    Meia-noite encerramos

    Nomes conhecemos

    Ocidente foi a nossa porta de entrada
    Ordem e disciplina mantemos
    Oriente, perante o sol que Ilumina nos prostramos
    Ouvindo, ouvindo, aprendemos

    Palavras nos informam que já é chegada a hora
    Pedra bruta temos que desbastar
    Perfeição será a nossa meta
    Persuasão, e o bom exemplo serão nossas armas
    Pilares construiremos
    Propostas apresentaremos
    Purificação moral e espiritual manteremos

    Quadro da Loja, aqui estamos como humildes serventes

    Recompensa, distinção pelos nossos talentos
    Riqueza de conhecimento transmitida através dos ritos
    Ritos de passagem, repetidas de modo bem conhecidos.
    Ritos que nos ajudam dar ordem e sentido a vida.
    Ritos predizíveis realizados da mesma maneira por muitas gerações.
    Ritos marcando a transição de um estado de vida para outro.

    Sabedoria em todas as provas demonstraremos
    Salários simbólicos mereceremos
    Segredo com a vida guardaremos
    Silêncio por virtude praticaremos
    Simbolismos morais e filosóficos interpretaremos
    Sinais empregaremos e reconheceremos

    Templo de Salomão imagem das maravilhas da criação
    Templo, onde edificamos o ser humano ideal
    Testamento deixamos para nascermos numa vida nova
    Três, sempre três
    Três vezes três
    Três aspectos de um todo
    Trindade, começo, meio e fim

    União de todos por todos

    Verdade sempre será a nossa causa
    Virtude, a sociabilidade, o progresso como frutos
    Vozes dizendo que somos livres e de bons costumes

    Por fim dizemos que nós em novos homens nos transformamos.
    A riqueza do mundo profano se esvai, pois aqui tudo é novo

  5. fernandotrani Disse:

    • A ALEGORIA DA CAVERNA

    sáb, 16 de novembro, 2002
    (Platão e Sócrates RuleZ!)
    Platão expôs o mito da caverna no Livro VII de A República. Possui a forma de um diálogo imaginário, do qual participam o filósofo Sócrates e os irmãos de Platão, Glauco e Adimanto. No livro VII Sócrates conta a Glauco o famoso mito da caverna como um retrato da ignorância humana. Pode (e deve) ser encarada como a metáfora da nossa vida, que, como os Budistas bem sabem, é uma ilusão, um pálido reflexo da Realidade. Nos mostra o quão difícil é nossa ascensão, mas o quanto ela é gratificante para os que perseveram e alcançam o topo. Também nos ensina, através da lógica, que é muito melhor ser humilde servidor na luz do que um Rei nas trevas. E também a dureza que é tentar ajudar os que ficam lá embaixo, por estarem eles se deleitando tão somente com aquilo (o ilusório), quando há muito mais para se ver! E fica a mensagem: não se pode tirá-los à força! Tudo isso é o que compõe a base moral do espiritismo, e Sócrates poderia ser considerado o primeiro doutrinador espírita do mundo.
    Vamos ao trecho do livro A República:
    Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado das nossas naturezas relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de perna e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as corrente os impedem de voltar à cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.
    Glauco – Estou vendo.
    Sócrates – Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que o transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.
    Glauco – Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.
    Sócrates – Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e de seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte?
    Glauco – Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?
    Sócrates – E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?
    Glauco – Sem dúvida.
    Sócrates -Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?
    Glauco – É bem possível.
    Sócrates – E se a parede do fundo da prisão provocasse eco, sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?
    Glauco – Sim, por Zeus!
    Sócrates – Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados?
    Glauco – Assim terá de ser.
    Sócrates – Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se,enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?
    Glauco – Muito mais verdadeiras.
    Sócrates – E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?
    Glauco – Com toda a certeza.
    Sócrates – E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?
    Glauco – Não o conseguirá, pelo menos de início.
    Sócrates – Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz.
    Glauco – Sem dúvida.
    Sócrates – Por fim, suponho eu, será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.
    Glauco -Necessariamente.
    Sócrates – Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.
    Glauco – É evidente que chegará a essa conclusão.
    Sócrates – Ora, lembrando-se de sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?
    Glauco – Sim, com certeza Sócrates.
    Sócrates – E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia?
    Glauco – Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.
    Sócrates – Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?
    Glauco – Por certo que sim.
    Sócrates – E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que seus olhos se tenham recomposto, pois se habituar à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? E se alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?
    Glauco – Sem nenhuma dúvida.
    Sócrates – Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto por ponto, esta imagem ao que dissemos atrás e comparar o mundo que nos cerca com a vida da prisão na caverna, e a luz do fogo que a ilumina com a força do Sol. Quanto à subida à região superior e à contemplação dos seus objetos, se a considerares como a ascensão da alma para a mansão inteligível, não te enganarás quanto à minha idéia, visto que também tu desejas conhecê-la. Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.
    Glauco – Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la.
    __________________

    É duro ter de se readaptar à luz e voltar a enxergar as sombras, após ter podido vislumbrar a realidade. O olho não se acostuma como antes, e perde-se a graça em ficar olhando sombras na parede. Mas, infelizmente ainda estamos acorrentados…
    Filosofia – publicado às 12:00 AM 26 comentários

  6. fernando di trani Disse:

    Papisa Joana
    História da Papisa Joana
    Durante muitos séculos, a história da Papisa Joana havia sido reputada pelo próprio clero como incontestável; mas, com o andar dos tempos, os ultramontanos, compreendendo o escândalo e o ridículo que o reinado de uma mulher devia lançar sobre a Igreja, trataram de fábula digna do desprezo dos homens esclarecidos o pontificado dessa mulher célebre. Autores mais justiceiros defenderam, pelo contrário, a reputação de Joana e provaram com testemunhos, os mais autênticos, que a papisa havia ilustrado o seu reinado com o brilho das suas luzes e com a prática das virtudes cristãs. O fanático Barônio considera a papisa como um monstro que os ateus e os heréticos tinham evocado do inferno por sortilégios e malefícios; o supersticioso Florimundo Raxmond compara Joana a um segundo Hércules que teria sido enviado do céu para esmagar a Igreja romana, cujas abominações tinham excitado a cólera de Deus. Contudo, a papisa foi vitoriosamente defendida por um historiador inglês chamado Alexandre Cook; a sua memória foi vingada por ele das calúnias dos seus dois adversários, e o pontificado de Joana retomou o seu lugar na ordem cronológica da história dos papas. As longas disputas dos católicos e dos protestantes acerca dessa mulher célebre deram um atrativo poderoso à sua história, e somos obrigados a entrar em todos os detalhes de uma existência tão extraordinária. Eis aqui de que maneira o jesuíta Labbé, um dos inimigos da papisa, enviava o seu cartel de desafio aos cristãos reformados: “Dou o mais formal desmentido a todos os heréticos da França, da Inglaterra, da Holanda, da Alemanha, da Suíça e de todos os países da Terra, para que possam responder com a mais leve aparência de verdade a demonstração cronológica que publiquei contra a fábula que os heterodoxos narraram sobre a papisa Joana, fábula ímpia cujas bases destruí de um modo invencível…” Os protestantes, longe de ficarem intimidados com a impudência do jesuíta, refutaram vitoriosamente todas as alegações, demonstraram a falsidade das suas citações, destruíram todo o edifício das suas astúcias e das suas mentiras, e, apesar dos anátemas do padre Labbé, fizeram sair Joana dos espaços imaginários em que o fanatismo a tinha envolvido. No seu libelo, o padre Labbé acusava João Hus, Jerônimo de Praga, Wiclef, Lutero e Calvino de serem os inventores da história da papisa; mas provou-se-lhe que, tendo Joana subido à Santa Sede perto de seis séculos antes da aparição do primeiro desses, homens ilustres, era impossível que eles tivessem imaginado essa fábula; e que, em todo o caso, Mariano, que escrevia a vida da papisa mais de cinqüenta anos antes deles, não poderia tê-la copiado das suas obras. A história, cujas vistas morais se elevam acima dos interesses das seitas religiosas, deve, pois, ocupar-se em fazer triunfar a verdade sem se inquietar com as cóleras sacerdotais; e, além disso, a existência dessa mulher célebre não deve ferir, de modo algum, a dignidade da Santa Sede, porque Joana, no discurso do seu reinado, não imitou as astúcias, as traições a as crueldades dos pontífices do século. Crônicas contemporâneas estabelecem, com toda a evidência, a época do reinado de Joana; e as suas asserções merecem tanto mais crença que esses historiadores sendo prelados, padres e monges, todos zelosos partidários da Santa Sede, eram interessados em negar a aparição escandalosa de uma mulher no trono de S. Pedro. Verdade é que muitos autores do nono século não fazem menção dessa heroína; mas atribui-se, com justa razão, o seu silêncio à barbárie da época e ao embrutecimento do clero. Uma das provas mais incontestáveis da existência de Joana existe exatamente no decreto que foi publicado pela corte de Roma, proibindo que se colocasse Joana no catálogo dos papas. “Assim, acrescenta o sensato Launay, não é justo sustentar que o silêncio que se guardou sobre essa história, nos tempos que seguiram imediatamente o acontecimento, seja prejudicial à narrativa que mais tarde foi feita. É verdade que os eclesiásticos contemporâneos de Leão IV e de Bento III, por um zelo exagerado pela religião, não falaram nessa mulher notável; mas os seus sucessores, menos escrupulosos, descobriram afinal o mistério…” Mais de um século antes de Marianno escrever os manuscritos que deixou à abadia de Fulda, diferentes autores tinham já narrado muitas versões sobre o pontificado da papisa; mas esse sábio religioso esclareceu todas as dúvidas, e as suas crônicas foram aceitas como autênticas pelos eruditos conscienciosos, que estabelecem as verdades históricas sobre os testemunhos de homens cuja probidade e luzes são incontestáveis. E, com efeito, toda a gente concorda em reconhecer que Mariano era um escritor judicioso, imparcial e verídico; a sua reputação está tão bem, que a Inglaterra, a Escócia e a Alemanha reivindicaram a honra de serem a pátria dele; além disso, o seu caráter de sacerdote e a dedicação que mostrou sempre pela Santa Sede não permitem que se suspeite de parcialidade contra a Igreja católica. Mariano não era nem um ente fraco nem um visionário; pelo contrário, era muito esclarecido, muito instruído, cheio de firmeza, de religião e tinha dado provas incontestáveis da dedicação que consagrava à corte de Roma, defendendo com grande coragem o papa Gregório VII contra o imperador Henrique IV. Não é possível, pois, recusar a autoridade de um semelhante testemunho; de outro modo não existiria um único fato histórico ao abrigo das contestações, ou que se pudesse considerar como evidente. Por isso, os jesuítas, que têm procurado pôr em dúvida a existência da papisa, compreendendo a força que os escritos desse historiador davam aos seus adversários, quiseram acusar de inexatidão as cópias das obras de Mariano. Mabillon, sobretudo, pretende que existem exemplares nos quais não se trata da papisa; para refutar essa asserção, basta consultar os manuscritos das principais bibliotecas da Alemanha, da França, de Oxford e do Vaticano. Além disso, está provado que os manuscritos autógrafos do religioso, que foram conservados na França durante muitos séculos na biblioteca do Domo, contêm realmente a história da papisa. É igualmente impossível admitir que um homem do caráter de Mariano Scotus tivesse mencionado nas suas crônicas uma aventura tão singular, se não fosse verdadeira. Contudo, admitindo que fosse capaz de uma tal impostura, é provável que os papas, que governavam então a Igreja, tivessem guardado silêncio sobre uma tal impiedade? Gregório VII, o mais orgulhoso dos pontífices e o mais apaixonado pela pretensão à infalibilidade da Santa Sede, teria sofrido que um frade desonrasse a corte de Roma com tanta insolência? Victor III, Urbano II, Pascoal II, contemporâneos de Mariano, teriam deixado impune esse ultraje? Finalmente, os escritores eclesiásticos do seu século e, sobretudo, o célebre Alberico de Monte-Cassino, tão dedicado aos papas, teriam deixado de se levantar contra uma tal infâmia? Assim, segundo os testemunhos mais irrecusáveis e mais autênticos, está demonstrado que a papisa Joana existiu no nono século; que uma mulher ocupou a cadeira de S. Pedro, foi o vigário de Jesus Cristo na Terra e proclamada soberana pontífice de Roma!!! Uma mulher assentada na cadeira dos papas, ordenando-lhe a fronte a tiara e tendo nas mãos as chaves de S. Pedro é um acontecimento extraordinário, de que os fatos da história oferecem um único exemplo! E o que mais admira ainda o espírito não é o ter podido uma mulher elevar-se pelos seus talentos acima de todos os homens do seu século, pois que houve heroínas que comandaram exércitos, governaram impérios, encheram o mundo com a fama da sua glória, da sua sabedoria e das suas virtudes; mas que Joana, sem exércitos, sem tesouros, não tendo outro apoio senão a sua inteligência, fosse assaz hábil para enganar o clero romano e fazer com que lhe beijassem os pés os orgulhosos cardeais da cidade santa; é isso o que a coloca superior a todas as heroínas, porque nenhuma delas se aproxima do que há de maravilhoso numa mulher feita papa. Numa vida tão extraordinária como a de Joana, devemos mencionar todos os acontecimentos que nos foram transmitidos pelos historiadores e entrar no detalhe das ações dessa mulher notável. Eis a versão de Mariano Scotus sobre o nascimento da papisa: “Em princípios do nono século, Karl, o Grande, depois de ter subjugado os saxônios, empreendeu converter esses povos ao Cristianismo e pediu à Inglaterra padres eruditos que o pudessem auxiliar nos seus projetos. No numero dos professores que passaram à Alemanha, contava-se um padre inglês acompanhado de uma menina que roubara à sua família para ocultar o seu estado de gravidez. Os dois amantes foram obrigados a interromper a sua viagem e a parar em Mayence onde, em breve, a jovem inglesa deu à luz uma filha, cujas aventuras deviam ocupar um dia os séculos futuros; essa criança era Joana.” Não se conhece com exatidão o nome que ela usou na sua infância: a filha do padre inglês é igualmente chamada Agnes por alguns autores, Gerberta ou Gilberta por outros, e finalmente Joana pelo maior número. O jesuíta Sevarius pretende que lhe chamavam também Isabel, Margarida, Dorotéia e Justa. Não estamos melhor instruídos acerca do sobrenome que ela adotou; asseguram uns que ela acrescentava ao seu nome a designação de Inglês; querem outros juntá-lo ao nome de Gerberta, e um autor do décimo quarto século chama-lhe Magamma na sua crônica, para exprimir, certamente, a ousadia e a temeridade de Joana, à imitação de Ovídio, que se serve da expressão “magnanimus Phaethon”. Esses mesmos autores apresentam menos contradições relativamente ao lugar do seu nascimento; pretendem alguns que ela nascera na Grã-Bretanha, outros designam Mayence, outros finalmente Engelkein, cidade do palatinado, célebre pelo nascimento de Carlos Magno; mas o maior número reconhece que Joana era de origem inglesa, que foi educada em Mayence e que nasceu em Eugelkein, aldeia situada na vizinhança daquela cidade. Joana tornara-se uma formosa jovens, e o seu espírito, cultivado pelos cuidados de um pai muito instruído, tomara um desenvolvimento tal, que ela admirava pelas suas respostas todos os doutores que se aproximavam dela. A admiração que ela inspirava aumentou ainda o seu ardor pela ciência, e aos 12 anos a sua instrução igualava-se à dos homens mais distintos do palatinado. Todavia, quando chegou à idade em que as mulheres começam a amar, a ciência foi insuficiente para satisfazer os desejos daquela imaginação ardente, e o amor mudou os destinos de Joana. Um jovem estudante de família inglesa e frade da abadia de Fulda foi seduzido pela sua beleza e apaixonou-se loucamente por ela. Se ele a amou com extremo, diz a crônica, Joana, pelo seu lado, não foi nem insensível nem cruel. Vencida pelos protestos, arrastada pelas inspirações do seu coração, Joana consentiu em fugir da casa paterna com o seu amante; deixou o seu nome verdadeiro, vestiu-se de homem e seguiu o jovem abade para a abadia de Fulda. O superior, enganado com aquele disfarce, recebeu Joana no seu mosteiro e colocou-a sob a direção do sábio Rabano Mauro. Algum tempo depois, o constrangimento em que se achavam os dois amantes fez-lhes tomar a determinação de saírem do convento e irem para a Inglaterra continuar os seus estudos. Em breve, tornaram-se os maiores eruditos da Grã-Bretanha, e em seguida resolveram visitar novos países, a fim de observarem os costumes dos diferentes povos e estudar-lhes as línguas. Em primeiro lugar, visitaram a França, onde Joana, debaixo sempre do hábito monacal, disputou com os doutores franceses e excitou a admiração dos personagens célebres da época, a famosa duquesa Setimânia, Santo Anscário, o frade Bertran e o abade Lopo de Ferriére. Depois dessa primeira viagem, os dois amantes empreenderam visitar a Grécia; atravessaram as Gálias e embarcaram em Marselha num navio que os conduziu à capital dos helenos, a antiga Atenas que é o foco mais ardente das luzes, o centro das ciências e das belas-letras, possuindo, ainda, escolas e academias, excitada em todo o universo pela eloqüência dos seus professores e pelo profundo saber dos seus astrônomos e dos seus físicos. Quando Joana chegou a esse magnífico país, tinha 20 anos e achava-se em todo esplendor da sua beleza; mas o hábito monástico ocultava o seu sexo a todos os olhares, e o seu rosto, empalidecido pelas vigílias e pelo trabalho, dava-lhe mais ares de um formoso adolescente do que de uma mulher. Durante dez anos, os dois ingleses viveram sob o formoso céu da Grécia, cercados de todas as ilustrações científicas e prosseguindo os seus estudos em filosofia, teologia, letras divinas e humanas, artes e histórias sagradas e profana. Joana aprofundara, compreendera e explicara tudo; e juntando a conhecimentos universais uma eloqüência prodigiosa, enchia de espanto aqueles que eram admitidos a ouvi-la. No meio dos seus triunfos, Joana foi ferida por um golpe terrível; o companheiro dos seus trabalhos, o seu amante estremecido, aquele que havia muitos anos não se separara dela, foi atacado por uma enfermidade súbita e morreu em poucas horas, deixando a desditosa só e abandonada na Terra. Joana tirou do seu próprio desespero uma nova coragem; venceu a sua aflição e resolveu sair da Grécia. Além disso, era-lhe impossível ocultar por mais tempo o seu sexo num país onde os homens usavam as barbas crescidas, e escolheu Roma para lugar do seu retiro, porque o uso ordenava aos homens raparem a barba. Talvez que não fosse esse unicamente o motivo que determinou a sua preferência pela cidade santa; o estado de agitação em que se achava então aquela capital do mundo cristão podia oferecer à sua ambição um teatro mais vasto do que a Grécia. Logo que chegou a cidade santa, Joana fez-se admitir na academia à que chamavam a escola dos gregos, para ensinar as sete artes liberais e, particularmente, a retórica. Santo Agostinho tornara já muito ilustre aquela escola; Joana aumentou-lhe a reputação. Não somente continuou os seus cursos ordinários, como também introduziu cursos de ciências abstratas que duravam três anos, e nos quais um imenso auditório admirava o seu prodigioso saber. As suas lições, os seus discursos e mesmo os seus improvisos eram feitos com uma eloqüência tão arrebatadora, que o jovem professor era citado como o mais belo gênio do século, e que, na sua admiração, os romanos lhe conferiram o título de príncipe dos sábios. Os senhores, os padres, os monges e, sobretudo, os doutores honravam-se de serem seus discípulos. “O seu procedimento era tão recomendável como os seus talentos; a modéstia dos seus discursos e das suas maneiras, a regularidade dos seus costumes, a sua piedade, diz Mariano, brilhavam como uma luz aos olhos dos homens. Todos esses exteriores eram uma máscara hipócrita sob a qual Joana ocultava projetos ambiciosos e culpados; por isso, no tempo em que a saúde vacilante de Leão IV permitia aos padres forjarem intrigas e cabalas, um partido poderoso declarou-se por ela, e publicou altamente pelas ruas da cidade que só ela era digna de ocupar o trono de S. Pedro.” E, com efeito, depois da morte do papa, os cardeais, os diáconos, o clero e o povo elegeram-na, por unanimidade para governar a Igreja de Roma! Joana foi ordenada na presença dos comissários do imperador, na basílica de S. Pedro, por três bispos; em seguida, tendo revestido as vestes pontificais, dirigiu-se acompanhada de um imenso cortejo ao palácio patriarcal e assentou-se na cadeira apostólica. Por muito tempo, os padres discutiram a seguinte e importante questão: “Joana foi elevada ao santo ministério por uma arte diabólica ou por uma direção particular da Providência? Uns pretendem que a Igreja deve sentir uma grande humilhação por ter sido governada por uma mulher. Outros sustentam, pelo contrário, que a elevação de Joana à Santa Sede, longe de ser um escândalo, devia ser glorificada como um milagre de Deus, que permitira aos romanos procedessem à sua eleição, para revelar que haviam sido arrastados pela influência maravilhosa do Espírito Santo.” Joana, elevada à suprema dignidade da Igreja, exerceu a autoridade infalível de vigário de Jesus Cristo com tão grande sabedoria que se tornava a admiração de toda a cristandade. Conferiu ordens sagradas aos prelados, aos padres e aos diáconos; consagrou altares e basílicas; administrou os sacramentos aos fiéis, deu os pés a beijar aos arcebispos, aos abades e aos príncipes; finalmente, desempenhou com honra todos os deveres dos pontífices. Compôs prefácios de missas e grande número de cânones, que foram interditos pelos seus sucessores; dirigiu com grande habilidade os negócios políticos da corte de Roma, e foi por conselhos seus que o imperador Lotário, já muito velho, decidindo-se a abraçar a vida monástica, retirou-se para a abadia de Prum, a fim de fazer penitência dos crimes com que manchara a sua longa carreira. Em favor do novo monge, a papisa concedeu à sua abadia o privilégio de uma prescrição de cem anos, cujo ato é mencionado na coleção de Graciano. O império passou, em seguida, para Luiz II, que recebeu a coroa imperial das mãos de Joana. Contudo, essa mulher que inspirava um tão grande respeito aos soberanos da Terra, que subjugava os povos às suas leis, que atraíra a veneração do universo inteiro pela superioridade das suas luzes e pela pureza da sua vida, essa mulher vai em breve quebrar o pedestal da sua grandeza e espantar Roma com o espetáculo de uma queda terrível! Algumas crônicas religiosas referem que esse ano de 854 foi assinalado por fenômenos milagrosos em todos os países da cristandade. “A terra tremeu em muitos reinos; uma chuva de sangue caiu na cidade de Bresseneu ou Bresnau. Na França, nuvens de gafanhotos monstruosos, armados de dentes compridos e acerados, devoraram todas as colheitas das províncias que atravessaram; em seguida, impelidos por um vento sul para o mar, entre o Havre e Calais, foram todos submergidos; mas os seus restos impuros lançados na praia espalharam no ar uma tal infecção, que engendrou uma epidemia a qual matou uma grande parte dos habitantes. Na Espanha, o corpo de S.Vicente, que fora arrancado do seu túmulo por um frade sacrílego que o queria vender aos pedaços, voltou, uma noite, da cidade de Valência, para uma pequena aldeia próxima de Montauban, e parou nos degraus da igreja, pedindo em voz alta para se recolher no seu relicário. Todos esses sinais, acrescenta o piedoso legendário, anunciavam infalivelmente a abominação que devia manchar a cadeira evangélica.” Joana, entregue a estudos sérios, conservara um procedimento exemplar depois da morte do seu amante. No princípio do seu pontificado, praticou as virtudes que lhe haviam merecido o respeito e a afeição de todos os romanos; mas depois, ou por propensão irresistível, ou porque uma coroa tenha o privilégio de perverter os mais belos caráteres, Joana entregou-se aos gozos do poder soberano e quis partilhá-los com um homem digno do seu amor. Escolheu um amante, assegurou-se da sua discrição, encheu-o de honras e de riquezas e guardou tão bem o segredo das suas relações, que só por conjecturas se pôde descobrir o favorito da papisa. Alguns autores pretendem que ele era camareiro, outros asseveram que era conselheiro ou capelão; o maior número afirma que era cardeal de uma igreja de Roma. Todavia, o mistério dos seus amores permaneceria coberto por um véu impenetrável, sem a catástrofe terrível que pôs termo às suas noites de voluptuosidade. A natureza zombava de todas as previsões dos dois amantes: Joana estava grávida! Conta-se que um dia, enquanto presidia ao consistório, foi trazido à sua presença um endemoninhado para ser exorcizado. Depois das cerimônias do uso, perguntou ela ao demônio em que tempo queria ele sair do corpo daquele possesso. O espírito das trevas respondeu imediatamente: “Eu vo-lo direi, quando vós, que sois pontífice e o pai dos pais, deixardes ver ao clero e ao povo de Roma uma criança nascida de uma papisa.” Joana, assustada com aquela revelação, apressou-se em terminar o conselho e retirou-se para o seu palácio, mas apenas se recolhera aos seus aposentos interiores, o demônio apresentou-se diante dela e lhe disse: “Santíssimo Padre, depois do vosso parto, pertencer-me-eis em corpo e alma; e apoderar-me-ei de vós para que vos queimeis comigo no fogo eterno.” Essa ameaça terrível, em vez de desesperar a papisa, reanimou o seu espírito e fez nascer no seu coração a esperança de acalmar a cólera divina com um arrependimento profundo. Impuseram-se rudes penitenciais, cingiu os membros delicados com um cilício grosseiro e dormiu sobre as cinzas; finalmente, os seus remorsos foram tão ferventes que Deus, tocado das suas lágrimas, enviou-lhe uma visão. Apareceu-lhe um anjo e ofereceu-lhe, em nome de Jesus Cristo, para castigo do seu crime, ser entregue às chamas eternas ou ser reconhecida como mulher diante de todo o povo de Roma. Joana aceitou o opróbrio e esperou corajosamente o castigo que o seu procedimento sacrílego havia merecido. Na época das rogações, que corresponde à festa anual que os romanos chamavam Ambarralia e que era celebrada com uma procissão solene, a papisa, segundo o uso estabelecido, montou a cavalo e dirigiu-se à igreja de S. Pedro, revestida com os ornamentos pontificais, precedida pela cruz e pelas bandeiras sagradas, acompanhada dos metropolitanos, dos bispos, dos cardeais, dos padres, dos diáconos, dos senhores, dos magistrados e de uma grande multidão de povo; em seguida, saiu da catedral com aquele séqüito pomposo para se dirigir à basílica de S. João de Latrão. Mas, tendo chegado a uma praça pública, entre a basílica de S. Clemente e o anfiteatro de Domiciano, chamado Coliseu, assaltaram-na as dores do parto com tal violência, que caiu do cavalo. A infeliz torcia-se pelo chão com gemidos horríveis, até que, conseguindo rasgar os ornamentos sagrados que a cobriam, a papisa Joana, no meio de convulsões tremendas e na presença de uma grande multidão, deu à luz uma criança!!! A confusão e a desordem que essa aventura escandalosa causou entre o povo exasperaram a tal ponto os padres que estes impediram que a socorressem, e, sem consideração pelos sofrimentos atrozes que a torturavam, cercaram-na como que para a ocultar a todos os olhares e ameaçaram-na com a sua vingança. Joana não pôde suportar o excesso da sua humilhação e a vergonha de ter sido vista por todo o povo numa situação tão terrível; fez um esforço supremo para dizer o último adeus ao cardeal, que a amparava nos braços, e a sua alma voou para o céu. Assim morreu a papisa Joana, no dia das rogações, em 855, depois de ter governado a Igreja de Roma durante mais de dois anos. A criança foi sufocada pelos padres que cercavam a mãe; contudo, os romanos, em memória do respeito e da dedicação que durante tanto tempo haviam consagrado a Joana, consentiram em prestar-lhe os últimos deveres, mas sem pompa, e colocaram o cadáver da criança no mesmo túmulo. Joana foi enterrada não no recinto de uma basílica, mas no mesmo lugar onde sucedera aquele acontecimento trágico. Ali se edificou uma capela, ornada com uma estátua de mármore representando a papisa vestida com os hábitos sacerdotais; com a tiara na cabeça e tendo nos braços uma criança. O pontífice Bento III mandou quebrar essa estátua em fins do seu reinado, mas as ruínas da capela viam-se ainda em Roma no décimo quinto século. Grande número de visionários preocuparam-se gravemente em investigar o castigo que Deus infringira à papisa depois da sua morte; uns consideraram a ignomínia dos seus últimos momentos como uma expiação suficiente, o qual estava de acordo, além disso, com a opinião vulgar de que os papas, qualquer que fossem os seus crimes, não podiam ser condenados. Outros, menos indulgentes que os primeiros, afirmam que Joana foi condenada por toda a eternidade a ficar suspensa de um dos lados das portas do inferno, e o seu amante do outro lado, sem nunca se poderem reunir. O clero de Roma, ferido na sua dignidade e cheio de vergonha por aquele acontecimento singular, publicou um decreto proibindo aos pontífices atravessarem a praça pública, onde tivera lugar o escândalo; por isso, depois dessa época, no dia das rogações, a procissão, que devia partir da basílica de S. Pedro para se dirigir à igreja de S. João de Latrão, evitava aquele lugar abominável, situado no meio do seu caminho, e faziam um longo rodeio. Essas, precauções eram suficientes para manchar a memória da papisa; mas o clero, querendo impedir que um semelhante escândalo pudesse jamais se renovar, imaginou, para entronização dos papas, um uso singular e maravilhosamente apropriado à circunstância, o qual teve o nome da cadeira furada. O sucessor de Joana foi o primeiro que se submeteu a essa prova, na qual se empregava o seguinte cerimonial: Logo que era eleito o pontífice, conduziam-no ao palácio de Latrão para ser consagrado solenemente. Em primeiro lugar, assentava-se numa cadeira de mármore branco, colocada no pórtico da igreja, entre as duas portas de honra; essa cadeira era, porém, furada, e deram-lhe esse nome porque o Santo Padre, ao levantar-se dela, entoava o seguinte versículo do Salmo 113: “Deus eleva do pó o humilde, para o fazer assentar-se acima dos príncipes!” Em seguida, os grandes dignitários da Igreja davam a mão ao papa e conduziam-no à capela de S. Silvestre, onde se achava a outra cadeira de pórfiro, furada no fundo, na qual faziam assentar o pontífice. Os primeiros historiadores eclesiásticos não fizeram menção nunca de uma só cadeira daquela natureza, enquanto os cronistas mais estimados falam sempre em duas cadeiras furadas que designam como sendo do mesmo tamanho, de forma semelhante, uma e outra de um estilo muito antigo, sem ornatos nem almofadas. Antes da consagração, os bispos e os cardeais faziam colocar o papa sobre essa segunda cadeira, meio estendido, com as pernas separadas, e permanecia exposto nessa posição, com os hábitos pontificais entreabertos, para mostrar aos assistentes às provas da sua virilidade; finalmente, aproximavam-se dele dois diáconos, asseguravam-se pelo tato que os olhos não eram iludidos por aparência enganadora e davam disso testemunho aos assistentes gritando em voz alta: “Temos um papa!” A assembléia respondia: “Deo gratias” em sinal de reconhecimento e de alegria. Então os padres vinham prostrar-se diante do pontífice, levantavam-no da cadeira, cingiam-lhe os rins com cinto de seda, beijavam-lhe os pés e procediam a entronização. A cerimônia terminava sempre por um esplêndido festim e por uma distribuição de dinheiro aos frades e às religiosas. É mencionada a cerimônia das cadeiras furadas na consagração de Honório III, em 1061; na de Pascoal II em 1099; na de Urbano VI, eleito no ano de 1378. Alexandre VI, reconhecido publicamente em Roma pelo pai dos cinco filhos de Rosa Vanozza, sua amante, foi submetido à mesma prova. Finalmente subsistiu ela até o décimo sexto século, e Cressus, mestre de cerimônias de Leão X, refere exatamente no jornal de Paris todas as formalidades da prova das cadeiras furadas a que o pontífice foi submetido. Depois de Leão, deixou ela de ser praticada, ou porque os padres compreenderam o ridículo de um uso tão inconveniente, ou porque as luzes do século não permitiam mais um espetáculo que ofendia a moral pública. As cadeiras furadas, que não eram necessárias, foram tiradas do lugar onde estavam colocadas e levadas para a galeria do palácio de Latrão que conduz à capela. O padre Mabillon, na sua viagem de Itália em 1685, fez a descrição dessas duas cadeiras, que examinou com a maior atenção, e afirma que eram de pórfiro, e semelhantes na fórmula a uma cadeira para enfermos. Os ultramontanos, confundidos pelos documentos autênticos da história e não podendo negar a existência da papisa Joana, consideraram toda a duração do seu pontificado como uma vagatura da Santa Sede, e fazem suceder a Leão IV o papa Bento III, sobre o pretexto de que uma mulher não pode desempenhar as funções sacerdotais, administrar os sacramentos nem conferir ordens sagradas. Mais de 30 autores eclesiásticos alegam esse motivo para não contarem Joana no número dos papas; mas um fato essencialmente notado vem dar um desmentido formal à sua opinião. Em meados do XV século, tendo sido restaurada a catedral de Siena por ordem do príncipe, mandou-se esculturar em mármore os bustos de todos’os papas até Pio II, que reinava então, e colocou-se no seu lugar, entre Leão IV e Bento III, o retrato da papisa, com esse nome: “João VIII, papa mulher!” Esse fato importante autorizaria, pois, a contar Joana como o 1089 pontífice que tivesse ornado’a Igreja, se o uso não fosse mais potente que a verdade. Contudo, nem por isso fica menos provado que o reinado da papisa é autêntico, em que uma mulher ocupou gloriosamente a cadeira sagrada dos pontífices de Roma. Alguns neo-católicos rejeitam ainda a verdade e recusam-se a admitir a autenticidade de todas essas provas, sob pretexto de que Deus não poderia permitir que a cadeira de S. Pedro, fundada pelo próprio Jesus Cristo, fosse assim ocupada por uma mulher impudica. Mas então perguntaremos nós como é que Deus pode sofrer as profanações sacrílegas e as abominações dos bispos de Roma! Não permitiu o Cristo que a Santa Sede fosse manchada por papas heréticos, apóstatas, incestuosos e assassinos? Não era ariano S. Clemente; Anastácio, nestoriano; Honório, monotelista; João XXIII, ateu, e Silvestre II não dizia que vendera a sua alma ao demônio para ser papa? Barônio, esse defensor zeloso da tiara, é o próprio a dizer que Bonifácio VI e Estevão VII eram celerados infames, monstros abomináveis, que encheram a casa de Deus com os seus crimes, e acusa-os de terem excedido tudo quanto os mais cruéis perseguidores da Igreja fizeram sofrer aos fiéis. Genebrardo, arcebispo de Aix, afirma que, durante perto de dois séculos, a Santa Sede foi ocupada por papas de um desregramento tão espantoso que eram dignos de serem chamados apostáticos e não apostólicos, e acrescenta que as mulheres governavam a Itália e que a cadeira pontifical se transformara numa roca. E, com efeito, as cortesãs Teodora e Marósia, monstros de lubricidade, dispunham, segundo o seu capricho, do lugar de vigário de Jesus Cristo; colocavam no trono de S. Pedro os seus amantes ou os seus bastardos, e os cronistas referem sobre essas mulheres fatos tão singulares, tão monstruosos, e narram libertinagens tão revoltantes, que se torna impossível traduzi-los na nossa história. Desse modo, visto que a clemência de Deus tolerou todas essas abominações na Santa Sede, pode igualmente permitir p reinado de uma papisa. Além disso, Joana não é nem a primeira e nem a única mulher que revestiu o hábito sacerdotal; Santa Tecla, disfarçada em trajes eclesiásticos, acompanhava S. Paulo em todas as suas viagens; uma cortesã chamada Margarida disfarçou-se de padre e entrou para um convento de homens, onde tomou o nome de Frei Pelágio; Eugênia, filha do célebre Filipe, governador de Alexandria no reinado do imperador Galiano, dirigia um convento de frades, e não descobriu o seu sexo senão para se desculpar de uma acusação de sedução que lhe fora intentada por uma jovem. A crônica da Lombardia, composta por um monge de Monte Cassino, refere igualmente, segundo um padre chamado Heremberto, que escrevia trinta anos depois da morte de Leão IV, a história de uma mulher que fora patriarca de Constantinopla. “Um príncipe de Benevento, chamado Archiso, diz ele, teve uma revelação divina na qual um anjo o advertiu que o patriarca que ocupava então a sede de Constantinopla era uma mulher. O príncipe apressou-se em instruir o imperador Basílio, e o falso patriarca, depois de ter sido despojado de todas as suas vestes diante do clero de Santa Sofia, foi reconhecido por uma mulher, expulso vergonhosamente da Igreja e encerrado num convento de religiosas.” Depois da narrativa de todos esses fatos, que foram conservados nas lendas para edificação dos fiéis, não deveriam confessar os padres que Deus permitiu o pontificado da papisa para abaixar o orgulho da Santa Sede e para mostrar que os vigários do Cristo não são infalíveis? Além disso, a história de Joana não se aproxima da história da Virgem Maria? A mãe do Cristo não concebeu e não deu à luz sem deixar de ser virgem, e não governou sobre o próprio Deus, por isso que a Escritura nos diz: “Jesus Cristo era submisso à sua mãe.” Se, pois, o criador de todas as coisas não desdenhou obedecer a uma mulher, por que razão queriam ser os seus ministros mais orgulhosos do que um Deus todo poderoso e recusarem-se a curvar a fronte diante de uma papisa? Além disso, até o sétimo século, os fiéis tinham reconhecido sacerdotisas, porque os atos do concilio de Calcedônia dizem formalmente que as mulheres podem receber as ordens do sacerdócio e serem sagradas solenemente como os leigos. S. Clemente, sucessor imediato dos apóstolos de Jesus, fala detalhadamente numa epístola sobre as funções das sacerdotisas: diz que devem celebrar os santos mistérios, pregar o Evangelho aos homens e ás mulheres e despi-los para ungi-los em todo o corpo, na cerimônia do batismo. Aton, bispo de Vercelli, refere nas suas obras que as sacerdotisas, na Igreja primitiva, presidiam nos templos, faziam instruções religiosas e filosóficas e que tinham debaixo das suas ordens diaconisas que as serviam, como os diáconos faziam aos padres. Santo Atanásio, bispo de Alexandria, e S. Cipriano explicam-se mais detalhadamente ainda acerca dessas mulheres; queixam-se de que muitas dentre elas, afastando-se das regras que lhes eram impostas, praticavam a garridice, empregavam os enfeites, os ornatos, pintavam o rosto, não tinham nem reserva nem pudor nas suas palavras, freqüentavam os banhos públicos e banhavam-se completamente nuas, de mistura com padres e jovens diáconos. Não era, pois, um fato novo na Igreja a elevação de uma mulher ao sacerdócio, quando apareceu a papisa Joana: muitas outras mulheres antes dela haviam sido consagradas sacerdotisas, recebido o dom do Espírito Santo e exercido as funções eclesiásticas. Por que razões procuram os adoradores da púrpura romana contestar a exatidão desses fatos históricos e irrecusáveis? Porque querem aniquilar até a própria recordação da existência de uma mulher celebre? A razão é simples: a majestade do sacerdócio, a infalibilidade pontifical, as pretensões da Santa Sede, a dominação universal, todo esse edifício de superstição e de idolatrias sobre as quais está colocada a cadeira de S. Pedro desaba diante de uma mulher papisa!!!

    O texto acima foi extraído da seguinte fonte:

    LACHATRE, Maurice. OS CRIMES DOS PAPAS – Mistérios e Iniquidades da Corte de Roma. São Paulo: Madras Editora Ltda,2005.ISBN 85-7374-776-5

    Retirado de “http://pt.wikipedia.org/wiki/Papisa_Joana”

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